sábado, 23 de maio de 2015

Uma Fragrância Perturbadora


Acaba de ser lançado o livro Fragrância, de André Cupone Gatti, uma coletânea de contos do jovem autor.

Trata-se de uma narrativa perturbadora e, ao mesmo tempo, fascinante. Pode-se entender o livro como surrealista, se nos remetermos à etimologia do termo, que se traduz em super realista, no sentido de uma realidade aumentada, exacerbada, na qual os detalhes – como uma lagartixa na parede – tornam-se a essência. Esses detalhes é que nos revelam sentimentos, angústias e descobertas sobre os personagens e sobre nós mesmos.

Por outro lado, em certos momentos, não são os detalhes mas sim o grandioso que toma a cena, e o exterior – como uma rua numa cidade de pescadores – reflete o interior da alma.

Num tempo em que futilidades se transformam em livros, Fragrância é um contraponto impactante e inesperado. Uma agradável e, ao mesmo tempo, angustiante narrativa.

Em bom português: muito e pouco


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Muito é muito. E pouco é pouco. Apesar de antônimos, as duas palavras podem ser usadas juntas, como na frase da imagem.

Mas jamais deveríamos usar a palavra pouco quando queremos dizer muito. Como, por exemplo:

A dívida daquele time tornou-se impagável. O total dessa dívida é de pouco mais de R$ 800 milhões.

Por que o jornalista usou a palavra pouco para se referir a dívida, já que ela é tão grande que tornou-se impagável? Se é "pouco mais", não parece tão grande assim, não é mesmo? Melhor seria ter construído a frase assim:

O total dessa dívida ultrapassa R$ 800 milhões.

Ah, agora sim as palavras expressam corretamente a sensação de que a dívida é realmente grande!

A expressão pouco mais de tornou-se um cacoete nas redações. Por isso a lemos e a ouvimos frequentemente nos noticiários. E sempre usada de maneira errada. Ela deveria ser reservada para frases como:

O time já pagou praticamente quase toda sua dívida. Restaram apenas pouco mais de R$ 20 milhões.

Aqui, sim, a expressão condiz com o sentido da frase.

Então, fiquemos atentos para não cometer esse erro!


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Tecnologia: os gigantes defendem a privacidade

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A boa notícia da semana é a de que Google, Apple e outros gigantes do mundo digital se uniram contra a proposta de órgãos de segurança do governo dos EUA que pedem o enfraquecimento da criptografia na internet. Até o DropBox – que tem como uma de suas executivas a ex-Secretária Geral do governo dos EUA Condoleezza Rice – assinou o documento de protesto!

A desculpa do FBI e outros órgãos é que a criptografia impede os serviços secretos de rastrear mensagens e atividades de "suspeitos". Ou seja, eles querem derrubar a privacidade de toda a população do planeta para espionar "suspeitos" que não sabemos quem são. Não é possível que não haja outra alternativa! Nossos dados não podem estar vulneráveis dessa forma!!

Veja aqui a matéria completa.